Festival Ressoar promove debate sobre património sonoro
Atualizado em 31/07/2026Até ao próximo dia 25 de julho está a decorrer no concelho de Viana do Alentejo, a primeira edição do Festival Ressoar, uma iniciativa que pretende valorizar e redescobrir o património sonoro e cultural do território.
Promovido pelo Município de Viana do Alentejo e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, o evento “pretende contribuir para a salvaguarda e valorização económica do Fabrico de Chocalhos, manifestação inscrita pela UNESCO em 2015” revelou Paulo Lima, antropólogo e coordenador do Festival. Paralelamente, pretende afirmar-se como um “evento de referência em Portugal no campo das paisagens sonoras”.
O Festival assume um significado especial ao dar continuidade ao trabalho de valorização do Fabrico de Chocalhos, juntando, igualmente, outro património mundial: o toque dos sinos, inscrito por Espanha na UNESCO, em 2022. Segundo Paulo Lima, ambos têm muito em comum, uma vez que os chocalhos, as campainhas, os guizos e os sinos são considerados “instrumentos musicais de uma só família”, cujos sons se fazem ouvir cada vez menos na paisagem sonora. O objetivo é dar-lhes um novo sentido, “torna-los vivos”, promovendo a celebração da música e da paisagem.
Até dia 25 de julho, está agendado um conjunto de conversas dedicadas ao património imaterial, ao fabrico de chocalhos, à valorização dos produtos locais, entre outros temas, que contam com a participação de especialistas de diferentes áreas. O coordenador do festival considera fundamentais estas “conversas e os contributos de diferentes especialistas e decisores ligados a políticas públicas”, sublinhando que é através destes contributos que será possível “construir linhas de ação para uma efetiva, mas complexa, salvaguarda e promoção económica”.
Em destaque estará, também, o Plano de Salvaguarda do Fabrico de Chocalhos. Na opinião de Paulo Lima, o festival pretende “criar linhas programáticas e pragmáticas que possam inscrever-se no novo Plano de Salvaguarda para o Fabrico de Chocalhos”, ouvindo contributos e partilhando “preocupações e esperanças”.
Em suma, este festival que se quer afirmar como um evento de nível internacional, visa “criar, a partir da música, que ressoa nos rebanhos e nos campanários, transumâncias em torno de políticas públicas e da ética do património” concluiu Paulo Lima.
No âmbito do Festival Ressoar, está agendada para dia 24 de julho, a partir das 20h00, no recinto da Feira do Chocalho, no Largo da Gamita, a assinatura “Memorando para a Salvaguarda e Promoção Económica do Fabrico de Chocalhos”. O documento será assinado pelos municípios de Viana do Alentejo, Reguengos de Monsaraz, Estremoz e Cartaxo, e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo. A cerimónia vai contar com a presença da Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense.
O Festival Ressoar encerra dia 25 de julho, às 22h30, com um espetáculo que reúne a Carrilhanista Ana Elias, do Carrilhão de Constância, acompanhada pela Banda Filarmónica da Sociedade União Alcaçovense sob a direção do maestro Hugo Monteiro.
A primeira edição do Festival Ressoar reforça a aposta do Município de Viana do Alentejo na valorização do seu património material e imaterial, contribuindo para preservar e divulgar uma identidade cultural única, ligada à paisagem sonora do território.