Designação: Santuário de Nossa Senhora de Aires
Localização: Évora, Viana do Alentejo
Acesso: Depois de Viana do Alentejo, segue-se pela estrada para Portel; o santuário situa-se cerca de 1500m após o cemitério da sede de concelho, visível da estrada principal e acessível por um estradão que com ele comunica.
Protecção: Em estudo
Enquadramento: Rural, em planície que se estende entre Évora e a Serra de Viana, isolada e em destaque.
Descrição: Planta em cruz latina, composta, de vastas proporções, virada a O. Nave longitudinal dividida em três tramos, de onde sobressaem os braços do transepto e os volumes verticais das duas torres da fachada e do zimbório octogonal. Frontaria imponente, marcada por duas torres sineiras laterais, simétricas, por cinco janelas de sacada e por um frontão contar curvado, caracteristicamente barroco; esta fachada forma um vasto adro acessível através dum arco central de volta inteira ladeado por dois outros mais estreitos; seis arcos laterais dão igualmente acesso ao adro; cada uma das torres é rematada por uma pequena balaustrada com pináculos nos vértices e por uma cobertura em forma de bolbo. A fenestração é regular, ao longo de todo o corpo, acompanhando a divisão interior em tramos; uma balaustrada em mármore remata todo este volume. O portal de entrada da igreja enquadra, no lintel, uma cartela com a dedicatória, em latim, a Nossa Senhora; é ladeado por duas janelas de grades, com características idênticas. INTERIOR: nave de três tramos separados por pilastras em trompe l'oeil; a capela-mor, de planta circular, assente em colunas em mármore de Viana, é profusamente ornamentada com trabalhos em estuques e pinturas murais; o altar-mor/santuário, disposto no eixo da capela-mor é constituído por quatro altares em forma de urna, sob um complexo baldaquino em estilo rococó. A cobertura da nave é em abóbada de volta inteira, a iluminação é proporcionada pelos janelões da nave; o zimbório, de planta octogonal assente sob trompas, tem oito janelas (quatro delas falsas) e cobertura em cúpula com lanternim de alvenaria.
Utilização Inicial: Cultual e devocional: igreja de peregrinação
Utilização Actual: Cultual e devocional: igreja de peregrinação
Propriedade: Privada: Igreja Católica
Época Construção: Séc.18
Arquitecto/Construtor/Autor: Padre João Baptista (risco) e Manuel Gomes (mestre de obra); o autor do portal da igreja é Manuel Antunes, de Estremoz
Cronologia: séc. 16 - Data provável de construção do primeiro edifício - totalmente demolido no séc. 18; 29 de Abril de 1743 - dá-se início ê demolição do edifício velho; Outubro de 1744 - conclusão dos alicerces da obra e das colunas do santuário, embora só colocadas mais tarde; 1750 - são erguidas as colunas; 27 de Setembro de 1751 - a afluência de peregrinos determina a atribuição, pelo Marquês de Pombal, dum alvará para a Feira de Nª Sr.ª de Aires; 15 de Março de 1760 - inauguração solene da igreja; 1790 - execução da frontaria e das duas torres sineiras; 1804 - conclusão destas obras e celebração da sua segunda sagração.
Tipologia: Arquitectura religiosa; igreja de peregrinação, barroca na estrutura e decoração, com nártex e planta em cruz latina; a cronologia e a sua situação relativamente isolada permitem estabelecer uma analogia com o santuário do Senhor da Pedra, em Óbidos (v. 1012040037)
Características Particulares: As proporções - algo sobredimensionadas para uma igreja de peregrinação - e a ornamentação, caracteristicamente barrocas. O portal de entrada da igreja, datado de 1755, é uma elaborada peça rocócó com decoração esculpida em elementos fitomóficos e enquadra uma dedicatória em latim a Nossa Senhora.
Dados Técnicos: Paredes portantes reforçadas por cunhais e pilastras em silharia assentes sobre embasamento em pilares e arcaria; tecto em abóbada em meia-laranja.
Materiais: Paredes em alvenarias mistas de pedra e tijolo argamassadas, rebocadas e caiadas; cunhais, pilastras e alisares dos vãos em mármore granito; alisares de vãos, frisos exteriores, arcos e portal principal em mármore; caixilharias em madeira e ferro pintadas; coberturas em telha de canudo; tectos em tijolo maciço rebocados e caiados; pavimentos exteriores em calçada de granito e mármore; pavimentos interiores em madeira, ardósia e mármore, e escadas em laje de pedra; ferro nas janelas de sacada.
Bibliografia: LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1893, ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora, Lisboa, 1978; Santuário de Nossa Senhora de Aires, Cidade de Évora, nº 60.
Documentação Fotográfica: DGEMN: DSID; IPPAR: DRE; CMVA
Intervenção Realizada: CMVA - Reparações pontuais: caiações, limpeza de coberturas.
Observações: A imagem venerada como sendo da padroeira é, na verdade, uma pietá em pedra de ansa policromada, datável do séc. 15; existe grande número de imagens, dos séculos 16 a 19, algumas provenientes da primitiva construção. O santuário encontra-se localizado num importante ponto de confluência da estrada romana de Ebora/Pax Julia, pelo que se encontram nas imediações grande quantidade de vestígios romanos e visigóticos, como moedas, fragmentos e peças de cerâmica, esculturas, lápides, cipós, actualmente visíveis no Museu Nacional de Arqueologia e Etnologia; alguns destes vestígios foram incorporados na construção da igreja - como é o caso das duas aras com inscrições em latim, integradas nos pilares do muro do adro. No terreiro fronteiro à igreja existe uma fonte (de Nossa Senhora de Aires), anterior à construção do actual santuário, com frontão triangular e pináculos em alvenaria e um vasto tanque / bebedouro, integrando uma lápide de mármore evocativa da Restauração e datada de 1640; do conjunto fazem parte uma grandiosa hospedaria, hoje totalmente arruinada, e a chamada Alameda dos Romeiros, corpo longitudinal, de um só piso, onde se alojavam o sacristão e o guarda e se guardavam as esmolas de peregrinos e algumas alfaias religiosas. A festa do santuário realiza-se no 4º Domingo de Setembro.