OS CHOCALHOS DE ALCÁÇOVAS
«Muitas são as localidades, vilas, cidades ou aldeias, que através dos tempos conseguem manter uma especialização industrial ou artística, que é como que o fácies característico e inconfundível que as torna conhecidas. Alcáçovas também possui a sua indústria própria, especial, única, os chocalhos, através dos quais o seu nome se tem tornado conhecido...»
A produção de chocalhos constitui a principal indústria da povoação de Alcáçovas que os fabrica desde o século XVIII, e cujo segredo se mantém na posse de algumas famílias que o vêm transmitindo de geração em geração, levando-o consigo quando emigram. Deste modo, é possível encontrar aqueles objectos de artesanato em Serpa, Estremoz e Portalegre.
Hoje, o fabrico destes objectos continua a processar-se exactamente do mesmo modo, e as oficinas mantém o mesmo aspecto de há 200 anos. Mas, o seu número tem vindo a diminuir drasticamente. Ainda há 40 anos havia dezasseis oficinas, das quais actualmente apenas três funcionam.
Os chocalhos eram usados para pendurar ao pescoço de alguns animais (os guias), à volta dos quais se juntavam os outros enquanto pastavam. Também serviam para indicar o paradeiro das reses mais gulosas quando estas se afastavam da manada para os campos semeados. Actualmente, o sistema de limitar as zonas destinadas à pastagem com cercas aramadas está a fazer cair em desuso a utilização dos chocalhos
Os ganadeiros tinham orgulho em apresentar os seus animais munidos de chocalhos ornados com as iniciais da casa agrícola a que pertenciam e pendurados ao pescoço por coleiras de couro cravejadas e trabalhadas. Essas coleiras eram presas segundo dois sistemas: com fivelas de metal ou peças de madeira (cáguedas), também primorosamente decoradas.
Os chocalhos têm nomes diversos conforme os tamanhos, que podem ir desde os 2 aos 50 cm de altura. Os de formato grande destinam-se ao gado vacum e cavalar e a alguns bodes guias. Os médios aplicam-se no gado lanígero e os pequenos em animais domésticos. Hoje, são vendidos principalmente para fins decorativos e os compradores e coleccionadores, sobretudo estrangeiros, preferem adquirir os chocalhos já usados.
(Adaptado de Mário do Rosário - A vila de Alcáçovas – 1924)
Os Chocalheiros
"Chocalhos Pardalinho"
José Maia, Francisco Maia Cardoso, Guilherme Maia
Quinta do Val Freixo
7090 Alcáçovas
Tel.: 266 954 427
Telemóvel: 96 0100696
Fax: 266 949 158
Localização GPS:
Longitude: 08º 09' 34" W
Latitude: 38º 23' 52" N
Gregório Sim-Sim
Rua de São Francisco, nº 8
7090 - 039 Alcáçovas
Tel.: 266 954 270
Fábrica de Chocalhos de Maria Francisca Serrinha Loupa
Rua da Esperança, 108
7090 - 029 Alcáçovas
Tel.: 266 954 138
Fax: 266 948 128
OLARIA
A Olaria é uma das mais antigas e tradicionais actividades da vila de Viana, lugar onde possui, desde há muito, um vasto historial. Olaria com características próprias, bem diferentes dos centros vizinhos. Possuindo razoáveis filões de matéria-prima - o barro - e dada a grande utilidade dos artigos cerâmicos, a classe de oleiros desenvolveu-se, sendo já no século XVII uma das mais numerosas da vila. A Olaria de Viana, foi caracterizada através dos tempos pelo seu aspecto aparentemente grosseiro, devido à não existência nas suas peças de motivos decorativos, o que hoje em dia já não acontece.
Especializados em loiça utilitária, os oleiros percorriam os mercados e feiras da região divulgando a sua arte e transformando-a numa das principais riquezas da sua comunidade. Entre as peças de barro utilitárias fabricadas pelos oleiros de Viana, deve-se destacar os tradicionais alguidares vidrados, que se destinam, entre outras coisas, a ser utilizados nas tradicionais matanças do porco, as bilhas, barris e cântaros para armazenar a água.
Em 1893, a Cooperativa Vianense "União Vinícola e Oleícola do Sul", pela mão do seu mentor António Isidoro de Sousa, considerando a inegável riqueza que a olaria produzia, resolveu congregar esforços para a fundação de uma Escola de Cerâmica, de forma a melhorar a formação técnica e artística dos futuros oleiros e a conquistar novos mercados.
Após a divulgação dos trabalhos existentes, numa exposição realizada nesse ano, foi conseguido o apoio de Bernardino Machado, então Ministro das Obras Públicas e, em 1894, a Escola foi edificada, não só a expensas do Ministério, mas principalmente da população e de organismos vianenses.
Tendo sofrido diversas vicissitudes, nomeadamente a extinção da Cooperativa e o ingresso na propriedade do Estado em 1901, a Escola possibilitou o desenvolvimento dos conhecimentos técnicos dos oleiros e a criação artística, de que foram mestres José Albino Dias, Júlio Resende e Francisco Lagarto, até que, em 1948, ao ser anexada à Escola de Évora, perdeu a sua especialização original. Mas a tradição manteve-se, constituindo uma das maiores riquezas do nosso Património Artístico-Cultural.
Todavia e como é natural, ao longo da sua existência, foram sendo introduzidas alterações a vários níveis, na Olaria Vianense, as quais acarretaram como consequência, a melhoria das condições de trabalho do oleiro e uma produção em termos de qualidade final, bastante superior.
Para se obter a qualidade final que as peças artesanais têm hoje, houve necessidade de se sacrificar grande parte da genuinidade que caracterizava a Olaria Vianense. Efectivamente, pode-se constatar que se deram grandes mudanças em aspectos cruciais, como o facto de se ter deixado de recorrer por completo à matéria-prima local: ao barro e a outros produtos naturais complementares. A justificação para esse abandono, pode ser encontrada no facto de o processo de recolha e preparação, até há bem pouco tempo completamente artesanal, não permitir um barro de grande qualidade. Também em termos de custos, é menos trabalhoso e mais rentável adquirir o barro já embalado e pronto a trabalhar.
O recurso a novas tecnologias tornou-se imprescindível para a competição em termos de mercado. Assim, a roda, outrora impulsionada pela força humana, é agora uma roda eléctrica, diminuindo o esforço diariamente exigido ao oleiro e um significativo aumento da produção. Outra alteração, foi a aquisição de fornos eléctricos, que veio substituir aqueles construídos no pátio dos oleiros, feitos em alvenaria.
Outro acontecimento marcante na história da Olaria Vianense, deu-se com o enveredar pela pintura decorativa, embora nunca se tenham abandonado as peças utilitárias, como o tradicional alguidar.
A procura de um estilo próprio tem sido o desafio dos jovens oleiros, nesta vertente em que a arte aplicada é eminentemente popular, recorrendo-se a motivos geométricos, florais e representativos da paisagem e ambiência alentejanas. Desde então, a Olaria Alentejana tem-se feito representar assídua e meritoriamente nos principais certames de artesanato que se realizam ao longo de todo o ano, um pouco por todo o país. Este facto por si só, justifica por parte dos vianenses um maior interesse por esta arte que lhe é tão familiar. Com efeito, após um período áureo, com o funcionamento da escola, já aqui referida, a sua posterior desactivação, resultou em crise para a olaria, que atravessou tempos difíceis, não lhe sendo dispensada a atenção merecida. À falta de melhor meio, a transmissão de conhecimentos tem-se processado, ao longo de gerações, de pais para filhos.
A reactivação da Escola seria importante para promover o justo e o interesse por esta actividade junto dos jovens, com o surgimento recente das primeiras encomendas de empresários estrangeiros.
Outro factor a reter é que a maioria da mão-de-obra que pinta a cerâmica é feminina, contribuindo assim, para diminuição de desemprego de mulheres no concelho, e contribuindo para o seu desenvolvimento.
Este conjunto de medidas contribuiria definitivamente para o perpetuar da Olaria em Viana do Alentejo. Se assim for, seguramente que no século XXI, as gerações vindouras poderão apreciar e usufruir desta arte, que continua a ser um dos principais estandartes desta ainda bela vila transtagana.
Artesãos de Olaria - Cerâmica Tradicional e Decorativa
Feliciano Agostinho
Rua de Vila Nova, 5 (Junto ao castelo) ou
Rua João Chagas, 20
7090 - 253 / 273 Viana do Alentejo
Tel.: 266 953 806
Fax: 266 939 321
Feliciano Agostinho aprendeu a trabalhar o barro aos 13 anos, enquanto na Escola Técnica de Viana frequentava o Curso de Olaria, hoje desaparecido. Actualmente, trabalha com o seu filho naquela arte.
António José Lagarto
Rua da Fonte Figueira, 18 (Estrada para Alvito)
7090 - 999 Viana do Alentejo
Tel.: e Fax: 266 939 164
António José Lagarto aprendeu os segredos da profissão aos 11 anos, com o seu pai, Francisco Narciso Lagarto.
Olaria Mira Agostinho
Rua Cândido dos Reis, 17
7090 Viana do Alentejo
Telemóvel: 968 449 999